Baltazar e Gaspar Gonçalves Moreno

11 SET 2018
11 de Setembro de 2018

Em 1623, Duarte Dias regressou à Europa com a sua família, para fazer parte do grupo de banqueiros portugueses que ajudaram a Coroa espanhola, deixando o engenho nas mãos dos irmãos Baltasar e Gaspar Gonçalves Moreno. 

Nota: Alguns historiadores dizem que os irmãos Moreno compraram o engenho ao marrano Carlos Francisco Drago, mas segundo José Antônio Gonsalves de Mello, no livro Fontes para História do Brasil Holandês - A Economia Açucareira, Carlos Francisco era proprietário do engenho do Meio, que foi confiscado e vendido a Jacob Stachhouwer, e o engenho Nossa Senhora da Apresentação era administrado pelos dois irmãos: Baltasar e Gaspar Gonçalves Moreno.

 Baltazar e Gaspar Gonçalves Moreno, falecido logo depois da compra do engenho, (conhecido como os irmãos Moreno Gordo) eram portugueses. Portugueses que chegaram a Pernambuco no princípio do século XVI.

Nota: Nem Borges da Fonseca, Jaboatão ou Pereira da Costa, nos Anais Pernambucanos, dão notícia de Baltasar Gonçalves Morenos, a menos que seja o mesmo Baltasar Gonçalves, a quem Matias de Albuquerque doou, em 1625, uma terra com 4.000 braças em quadra, nas proximidades de Maciape e Mussuripe, localizadas em São Lourenço da Mata. Contudo o apelido Moreno aparece várias vezes entre os que viviam em princípios do século XVII, na Nova Lusitânia.

Durante a ocupação holandesa o engenho Nossa Senhora da Apresentação já era conhecido como “Morenos”, pois foi citado no relatório do Coronel Hans, comandante da armada holandesa (1645), ao Alto Conselho holandês, relatando a parada no engenho, vindo da Batalha Tabocas, onde seu exército tinha sido derrotado.

Segundo a Ata (“Dagelikse Notule”) do Alto Conselho Holandês do Recife (1642), durante a ocupação holandesa os rendeiros do engenho Morenos, Baltasar e Gaspar Gonçalves Moreno, compraram o engenho pela soma descomunal de 120.000 florins, mediante 20 prestações vencíveis por ocasião das safras. Consta, aliás, na referida Ata que Baltazar e Gaspar apenas efetuaram os primeiros pagamentos, alegando a ausência dos herdeiros de Duarte Dias Henrique que viviam em Castela. O único meio que eles encontraram para regularizarem a situação era proporem à Companhia das Índias/WIC que confiscasse a propriedade e a seguir, comprariam o engenho novamente, em termos mais vantajosos. Com essa negociação feita, os “ladinos” não só conseguiram baixar consideravelmente o preço das terras, como também se prevaleceram do sequestro do mesmo, que foi decretada como “propriedade de ausente” pelos holandeses. 

Baltazar e Gaspar após conseguirem seu intento conseguiram obter créditos agrícolas junto a Companhia das Índias Ocidentais, que estava emprestando dinheiro para a construção ou recuperação dos engenhos.

Após o falecimento de Gaspar, Baltazar continuou administrando o engenho e pouco tempo depois se torna um dos maiores devedores da Companhia (45.504 florins), como consta na lista dos devedores da Companhia publicada no fim da invasão holandesa. 

Em 1654, o engenho Moreno Gordo e as dívidas com a Companhia foram adjudicados aos herdeiros de Baltasar Gonçalves Moreno.

morenope.com

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